sábado, 20 de setembro de 2014

ARTIGO: A CONSTRUÇÃO DA PERCEPÇÃO DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL DE ILHAS, POR EXTRAÇÃO MINERAL, ATRAVÉS DA REPRESENTAÇÃO.


Lurdes Maria Moro Zanon. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). lurdinhazanon@gmail.com;
Tassia Farencena Pereira. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). tassiafarencena@hotmail.com;
Bruno Maciel Peres. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). bdaperes@hotmail.com;

Gilda Maria Cabral Benaduce. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). g.benaduce@brturbo.com.br.


INTRODUÇÃO

O ensino da Geografia exige uma maior discussão das mudanças ocorridas no espaço e nas relações homem/meio, que com utilização de recursos didáticos torna-se mais fácil a percepção de um educando em relação à transformação ocorrida no espaço, além de facilitar a compreensão dos conteúdos de forma motivadora e prática. Auxiliando no aprendizado dos educandos que irão entender melhor que mundo é produto do homem, da sociedade e, portanto o da paisagem, que é cada vez mais transformada.
A elaboração dos croquis de ilhas fictícias da Oceania e o seu uso em sala de aula tiveram como objetivo o maior envolvimento e participação do educando na construção do saber geográfico, bem como se buscou ilustrar a ação do homem sobre a paisagem como agente criador e modificador do espaço geográfico. No caso os croquis das ilhas foram um auxílio prático para provocar nos educandos a vontade de aprender mais sobre a Oceania. Neste caso, a abordagem justifica-se pela necessidade de uma representação concreta para ilustrar as modificações ocorridas nas paisagens que deixam de ser naturais e passam a se constituir espaços geográficos, diagnosticando as conseqüências da ação humana ao longo do tempo, através de uma atividade dinâmica construída em grupo, proporcionando um ambiente favorável para aprendizagem.
Dessa maneira a utilização de recurso didático nas aulas de geografia é importante, pois fornece aos alunos uma nova visão de como é formado o espaço. Segundo OLIVEIRA (2010), a adoção do uso dos recursos didáticos, para uma melhor abordagem científica do ensino da geografia, contribui para uma maior compreensão da sociedade como o processo de ocupação dos espaços naturais, baseado nas relações do homem com o ambiente, em seus desdobramentos políticos, sociais, culturais e econômicos. Nesse sentido, o ensino da Geografia deve levar o aluno a sentir-se estimulado a intervir significativamente na realidade em construção, com a disposição de se constituir num agente da transformação social.
Neste contexto, a elaboração de croquis teve como proposta de trabalho para a alunos do Instituto Estadual Luiz Guilherme Prado Veppo, afim de que os educandos estivessem no papel de agentes transformadores da paisagem. Segundo Rodrigues (2000) os croquis geográficos são diferentes referenciais que servem de leitura e relacionamento com o mundo. Desta maneira entende-se que esse material é uma forma de ler diferentes paisagens que podem ser representadas, neste caso foram ilhas de Oceania, onde os educandos conseguem ter uma visualização sobre como é formado esse continente. Além disso, permite ao educando compreender a transformação do espaço causado pela interação entre homem versus natureza, possibilitando, dessa forma, a associação entre teoria e prática, e uma maior aproximação entre professor e educando.
Coaduna-se com essas reflexões FERREIRA et al.(2011), quando ressalta que:

A prática de ensino tem uma importância fundamental na hora de trabalhar os conteúdos, pois ela auxilia o professor na hora de ministrar suas aulas, fazendo com que ele confronte os conceitos que trazemos do dia a dia com os conceitos científicos. E que esse professor venha a inovar os métodos de trabalhar que ele não utilize apenas métodos tradicionais já conhecidos, que ele venha propor uma dinâmica em suas aulas tornando-o mais criativa. Os conceitos geográficos são instrumentos básicos para compreender e analisar a leitura do mundo do ponto de vista geográfico.

Diante dessa citação entendemos como é importante apresentar novas atividades para o conhecimento do aluno, sabendo que essa disciplina estuda as transformações do espaço no decorrer dos anos, sobre o ensino de geografia Cavalcante (1998, p.24) afirma que:

 Entre o homem e o lugar existe uma dialética, um constante movimento: se o espaço contribui para a formação do ser humano, este, por sua vez, com sua intervenção, com seus gestos, com seu trabalho, com suas atividades, transforma constantemente o espaço.


Assim compreende-se a importância do homem como agente transformador, pois a partir dessa representação conseguimos observar o quão é importante deixar as aulas de geografias mais praticas para maior aprendizado sobre a constituição do espaço geográfico.
Conforme interpretação de Mendonza e outros (1988), paisagem: “Um sistema real cujos elementos de interações são o que são com independência da percepção ou do significado que lhes deem as pessoas carentes do distanciamento e dos instrumentos teóricos adequados para um conhecimento objetivo” (1988, p. 132). Logo, a paisagem é composição mental resultante de uma seleção e estruturação subjetiva a partir da informação emitida pelo entorno, mediante o qual este se torna compreensível ao homem e orienta seus decisões e comportamentos. (idem, ibidem, p.132).
A paisagem é um ponto de aproximação de seu objeto de estudo que é o espaço geográfico. Nesse sentido, SANTOS define paisagem da seguinte forma: “Tudo aquilo que nós vemos, o que nossa visão alcança, é a paisagem. Esta pode ser definida como o domínio do visível, aquilo que a vista abarca. não é formada apenas de volume, mas também de cores, movimentos, odores, sons, etc.” (1988,p.61). Para ele paisagem é a materialização de um instante da sociedade, enquanto o espaço geográfico contém o movimento dessa sociedade, por isso paisagem e espaço constituem um par dialético.
O espaço geográfico corresponde ao espaço construído e alterado pelo homem; e pode ser definido com sendo o palco das realizações humanas nas quais estão às relações entre os homens e desses com a natureza. O espaço geográfico abriga o homem e todos os elementos naturais, tais como relevo, clima, vegetação e tudo que nela está inserido.
Diante dessas considerações constata-se que o espaço geográfico não é estático, as mudanças são contínuas e dinâmicas, ele é produto do trabalho humano sobre a natureza e todas as relações sociais ao longo da história. É evidente que o homem necessita da natureza para obter seu sustento, no entanto, o que tem sido promovido é uma exploração irracional dos recursos naturais, como pode ser tomado, por exemplo, as ilhas do continente da Oceania, altamente degradadas principalmente pela exploração mineral. Desta forma, o espaço geográfico é produzido social e historicamente, sendo diariamente reproduzido através do trabalho e demais atividades do homem, revelando, ainda, as contradições e desigualdades sociais. As mudanças ocorrem de maneira dialética; não é algo aleatório, mas sim, fruto de intencionalidades sociais, construído de acordo com a evolução histórica e também da ciência e técnicas presentes no território. O Espaço é, assim, um híbrido entre o meio natural e a técnica, com múltiplas relações que se caracterizam através dos objetos (formas) e ações (conteúdos) pelo transcorrer do tempo (SANTOS, 2009).
No intento de qualificar nossa compreensão de espaço sob a perspectiva analítica geográfica crítica, “como ponto de partida, propõem-se que o espaço seja definido como um conjunto indissociável de sistemas de objetos e de sistemas de ações” (SANTOS, 2009, p. 21). Surge a partir da intencionalidade social por meio da qual o homem se apropria do espaço natural transformando-o, através do trabalho, em espaço geográfico, ou seja, são resultado e condição da dinamicidade de relações que os homens estabelecem cotidianamente entre si, com a natureza e consigo mesmo.

MATERIAIS E MÉTODOS

Pretende-se com esse trabalho, a melhor compreensão sobre a exploração de ilhas, com referencia ao continente Oceania, através da construção de dois croquis. Desta maneira primeiramente elaboramos os recursos didáticos utilizando materiais como: isopor, argila, jornal, cola, tinta e serragem colorida.
A partir da elaboração dos croquis, levamos estes até o Instituto Estadual Luiz Guilherme Prado Veppo, onde proporcionou aos estudantes o entendimento de como ocorre a exploração de ilhas, sendo que este tipo de território possui menor extensão. Desta maneira para que os educandos conseguissem visualizar a grande modificação que pode ser feita a partir da ocupação foram elaboradas duas atividades, a primeira correspondendo aos alunos se acomodarem ao redor de um dos croquis, após este momento colocamos tinta preta, simbolizando a exploração de petróleo, em uma colher pequena, a partir disso os educandos tinham que passar a colher de um para outro derrubando o mínimo possível de tinta preta. A segunda atividade os alunos deveriam passar a colher de um para outro uma colher com purpurina, ilustrando o ouro, da mesma forma que anteriormente, derrubando a menor quantidade possível.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O uso dos croquis como auxilio didático para as aulas de Geografia, torna-se uma importante ferramenta de ensino-aprendizagem, pois contribui para dinamizar as aulas, permitindo ao educador utilizar-se desse recurso, para que a aquisição do conhecimento ocorra de forma prática e assim os educandos entendam a teoria. Além disso, os croquis dão à idéia de forma dimensionada do fenômeno que estão representando, possibilitando a ilustração direta dos mesmos, resultando assim em uma analise e compreensão de maneira integrada.
Entretanto, cabe destacar que os recursos didáticos, por sua vez, não têm a capacidade de garantir inteiramente a aprendizagem do educando, mas desperta maior interesse pela aula, pois possibilita com que estes se envolvam e participem de forma ativa trabalhando com um recurso concreto e palpável.
Através do uso dos croquis das ilhas fictícias da Oceania, se obtiveram resultados positivos, os educandos se envolveram com a atividade proposta assumindo papéis de diferentes personagens que atuariam sobre essas áreas, a criatividade foi enorme, o entusiasmo em ver os croquis e querer manusear os materiais que representavam os recursos minerais foi grande.
A atividade exigiu trabalho em grupo e cooperação de todos. Os educandos conseguiram compreender os conceitos de paisagem, espaço geográfico, os impactos ambientais causados nas ilhas da Oceania pela ação do homem principalmente aqueles resultantes das ações de grandes empresas mineradoras. Conceitos trabalhados no ensino de geografia geralmente de maneira tradicional apenas explicado oralmente pelo educador sem grande participação dos educandos, pelo uso dos croquis os conceitos foram construídos a partir da ação e percepção dos educandos de maneira conjunta.
A compreensão e o aprendizado do conteúdo por parte dos educandos pode ser percebida através de suas apresentações e respostas que davam à questionamentos feitos pelos educadores, a questão que mais chamou atenção foi a  escolha dos educandos quando indagados em qual ilha preferiam morar se na ilha de paisagem natural ou na ilha que já se constituía num espaço geográfico, elaboraram suas respostas realçando os aspectos positivos e os negativos que se encontravam em ambas ilhas, demonstrando que a atividade proporcionou o correto entendimento do conteúdo abordado em aula.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base na pesquisa, chegou-se a conclusão da importância de se utilizar recursos didáticos em sala de aula, uma vez que, o educador é o elo entre o ensino e a aprendizagem, devendo sempre procurar maneiras de ampliar as formas de ministrar o conteúdo, com o intuito de despertar o interesse de seus educandos. Sendo que, dependendo do método que ele utilizará poderá proporcionar aulas criativas, e o croqui é um meio de intensificar os conhecimentos dos educandos de forma mais compreensível e menos teórica. 
A proposta de elaboração dos croquis representando ilhas ficticias da Oceania era propor a participação do educando na construção do conhecimento a respeito da ação humana, fazendo assim uma analise integrada da paisagem para entender a transformação do local apresentado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAVALCANTI, L. S. GEOGRAFIA, ESCOLA E CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTOS. Campinas, SP: Papirus, 1998.

FERREIRA, A. A.; RODRIGUES, S. X. C.; JESUS, J. N de. A importância da prática no ensino de Geografia. IV EDIPE – Encontro Estadual de Didática e Prática de Ensino  2011.

MENDOZA, Josefina G. Et Alii. El Pensamiento Geografico. Barcelona: Alianza Editorial, 1988.

OLIVEIRA, Maria Luíza Tavares de. Ensino de Geografia na Contemporaneidade: o Uso de Recursos Didáticos na sua abordagem. 10º Encontro Nacional de Prática de Ensino em Geografia - ENPEG, de 30 de agosto a 2 de setembro de 2010, Porto Alegre.

RODRIGUES, N. Por Uma Nova Escola - O transitório e o permanente na educação. São Paulo: Cortez, 2000.

SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo. Razão e Emoção. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2009.


SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo: HUCITEC, 1988.

ARTIGO: A INDE COMO FERRAMENTA AUXILIAR PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA


Apresentador: Marcos Rafael Tavares.
Orientadora: Profª. Drª. Gilda Maria Cabral Benaduce.
Co-autores: Talitha Tomazetti;
Zuleide Fruet;
Área do Sub-projeto: Sub-projeto Geografia PIBID – Geografia – UFSM – CAPES
Curso de Geografia – Universidade Federal de Santa Maria
INTRODUÇÃO
As tecnologias vêm evoluindo e interferindo no modo de vida das pessoas, ganhando valorização e aceitação significativa. Seguindo a evolução da informática e da internet as geotecnologias nos dão um aporte para os mais diversos fins, um deles é a sua utilização em sala de aula como Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) com o intuito de beneficiar o aprendizado, pois os softwares e a internet conseguem atrair a atenção dos educandos. Nesta totalidade, a escola enquanto instituição responsável pela formação de cidadãos deve buscar espaço frente às tecnologias atuais que circundam o cotidiano dos educandos.
No processo de ensino e aprendizagem da Geografia é preciso levar em consideração o que desperta prazer e curiosidade no educando surgindo assim à necessidade de utilizar diferentes meios que possibilitem a construção e a busca de novos conhecimentos. É importante que as escolas adotem as propostas das TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), possibilitando o incremento do advento do avanço tecnológico com o ambiente escolar de aprendizagem favorecendo a representação de novas ideias e construção do conhecimento, troca de informações, experiências, aprendizagem significativa e prazerosa.
Com essa perspectiva surge uma ferramenta que contribui muito aos educadores de geografia neste processo de ensino que é o Visualizador da INDE, sendo está ferramenta utilizada pelo grupo PIBID Geografia da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) no segundo ano do Ensino Médio na escola Prado Veppo localizada na região Sul de Santa Maria - RS.
O Visualizador da INDE é a forma com que usuário pode dispor dos dados e informações armazenados no banco de dados da INDE, onde vários órgãos governamentais fazem parte do programa, cada órgão na sua especialidade fazendo com que o Visualizador da INDE se torne uma ferramenta altamente capaz de criar um ambiente de ensino e aprendizagem em sala de aula, pois apresenta inúmeras informações e dados referentes ao nosso país de forma dinâmica e intuitiva.
            REFERENCIAL TEÓRICO
As tecnologias sempre influenciaram o homem, BITTENCOURT (1998) afirma que as tecnologias sempre tiveram papel fundamental para a sociedade, interando o homem e a natureza, o homem e sua cultura. PAULI (2012) diz que as tecnologias já fazem parte da vida da população de uma maneira significativa e cada vez mais inserida nas escolas, tornando fundamental a inserção dos estudantes nas novas tecnologias de comunicação.
Portanto não podemos fugir da idéia que a tecnologia nos influência e também pode nos trazer vários benefícios, um deles é na parte educacional sendo chamada de Tecnologia da Informação e Comunicação, as TIC são parte das profundas alterações que a sociedade vem passando em ritmo acelerado condicionado por inúmeros fatores, entre eles os avanços tecnológicos (BAIOCCHI, 2009), através das TIC o professor terá uma forma de romper com a linearidade na transmissão do conhecimento.
Conforme PANSERI (2009) existem na Internet tecnologias que ajudam criar ambientes ricos em possibilidades de aprendizagem, como é o caso do Visualizador da INDE, nele podemos verificar vários fenômenos ocorrentes na superfície terrestre em um ramo chamado Geoprocessamento, envolvendo as tecnologias SIG, sendo que o geoprocessamento que um conjunto de técnicas de informáticas e matemáticas que trabalham com informação geográfica e SIGs são programas capazes de realizarem essas tarefas.
O Visualizador da INDE faz parte da INDE (Infra Estrutura Nacional de Dados Espaciais) e tem como objetivo promover o adequado ordenamento na geração, armazenamento, acesso, compartilhamento, disseminação e uso dos dados geoespaciais e originar a utilização, na produção dos dados geoespaciais pelos órgãos públicos das esferas federal, estadual, distrital e municipal, dos padrões e normas homologados pela CONCAR (Comissão Nacional de Cartografia).
A INDE é composta por uma rede de servidores integrados à internet chamado Diretório Brasileiro de Dados Geoespaciais (DBDG), este é capaz de reunir eletronicamente produtores, gestores e usuários de dados geoespaciais visando à integração entre sistemas de diferentes instituições, com vistas ao armazenamento, compartilhamento e acesso a esses dados e aos serviços relacionados e também a criação do portal que disponibilizará os recursos do DBDG para publicação ou consulta sobre a existência de dados geoespaciais, bem como para o acesso aos serviços relacionados denominado Sistema de Informações Geográficas do Brasil - SIG Brasil, sendo através deste o acesso ao Portal Brasileiro de Dados Geoespaciais.
Para que houvesse uma padronização entre os diversos sistemas foram seguidas as normas da CONCAR (Comissão Nacional de Cartografia) e do e-PING (Programa de Interoperabilidade do Governo Eletrônico).
 O e-PING define um conjunto de padrões abertos que devem ser utilizados, baseados principalmente nas definições do OGC (Open Geospatial Consortium) como a adoção preferencial de padrões abertos, O OGC no qual é baseado o e-PING compreende um consorcio entre companhias, agências governamentais e universidades com a finalidade de promover desenvolvimento de tecnologias que facilitem a comunicação entre diferentes sistemas que trabalhem com informação e  localização espacial. Todos esses padrões e especificações juntamente com o DBDG culminaram no Visualizador da INDE, através dele é possível selecionar, através da interface do visualizador, servidores de mapas predefinidos no banco de dados. A ferramenta possibilita a composição e sobreposição de camadas nos mapas e a execução de diferentes funções, por exemplo, funções de visualização e navegação, consultas básicas, medição de distâncias e superfícies além do download dos dados e informações.
Conforme o site da INDE a ferramenta congrega vários órgãos governamentais como Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ, Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, Serviço Geológico do Brasil - CPRM, Diretoria de Hidrografia e Navegação – DHN, Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes – DNIT, Diretoria de Serviço Geográfico do Exército Brasileiro – DSG, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, Instituto de Cartografia Aeronáutica – ICA, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, Ministério das Cidades, Ministério da Fazenda, Ministério do Meio Ambiente – MMA.
METODOLOGIA
Já na escola, computadores ligados e conectados a Internet e alunos presentes foi o momento de uma breve introdução do que é a INDE, após este passo foi o hora de conduzir os alunos para que conectassem as maquinas que estavam usando na internet para acessar o Visualizador da INDE, em um buscador os alunos digitaram Visualizador da INDE, após a busca clicou-se no primeiro link da busca e todos os alunos acessaram o Visualizador.
Na tela inicial foram explicados aos alunos os elementos que compõem o visualizador, como o menu camadas, no qual é composto por cinco guias: Busca, Tema, Instituição, Selecionados, Legenda.
Na guia “busca” é possível fazer uma busca de forma rápida ao banco de dados da INDE, na guia Tema o Visualizador da INDE apresenta cerca de 30 temas (Mapeamento Básico Terrestre, Vegetação, Socioeconômica, Transportes, Hidrografia, entre outros) sendo que cada tema destes pode apresenta subtemas como, por exemplo, o tema Mapeamento Básico Terrestre tem o subtema Bases Topográficas Continuas na qual contem as opções a serem marcadas para compor o mapa principal.
Já na guia “Instituição” contem o link de cinco instituições como IBGE, MP, ANA, MDA, MDS, além da camada base que pode ser alterada em quatro opções: Google Satelite, Google Physycal, Google Street, OSM. No link das instituições governamentais como, por exemplo, IBGE apresenta subtemas referente a dados populacionais do Brasil. Na guia “Selecionado” apresenta os temas que estão selecionados e compostos no mapa principal e na guia “Legenda” apresenta a legenda dos dados marcados e visualizados no mapa principal. No mapa principal também contem escala, coordenadas do mouse, além de uma escala de redução. Também existe um palheta de ferramentas como zoom mais, zoom menos, deslocamento no mapa, desenhos de pontos, segmentos e polígonos, além de informações de distancias, áreas e informações sobre a camada. Após isso solicitou que os alunos acessassem a guia TEMA – Socioeconômica - Economia e Finanças – Indicadores Sociais e marcassem o tema que num primeiro momento foi sobre população que era o tema que a professora estava trabalhando com eles, com o termino do estudo da população deixamos um espaço livre para que eles mexessem no programa, então nesse momento eles pesquisaram sobre localização da escola, mapas, vegetação, hidrografia, enfim ficaram bem à vontade e curiosos com a quantidade de informações que o programa propõe.
            RESULTADOS E DISCUSSÔES
Os resultados alcançados com o Visualizador da INDE são positivos porque através da Internet os alunos puderam consultar informações e compor mapas, também puderam localizar sua casa e a escola, exercitando habilidades de localização e leitura de mapas e legendas. Notamos que através desta atividade conseguimos prover um ambiente de aprendizagem, onde que os alunos sentiram se a vontade para questionar e assim desenvolver a aprendizagem.
            CONCLUSÃO
Dessa forma possibilitando acesso rápido e fácil para os diferentes usuários, entre eles os Profissionais da Educação o visualizador da INDE é importante pois congregam dados e informações geográficas de diversas instituições em seu banco de dados possibilitando ao professor varias opções em um só lugar. O Visualizador é dinâmico, de fácil acesso e manuseio, o que chama a atenção dos alunos.
Sendo assim o visualizador INDE utilizado como recurso didático propício aos alunos uma compreensão do conteúdo estudado e possibilitou uma aula diferente com a utilização das geotecnologias, o que deixou os alunos bastante curiosos e interessados a trabalhar no programa, sendo que através dos relatos dos mesmos eles aprendem de uma maneira mais completa visualizando, manuseando e pesquisando.
É necessário que nós educadores, persistamos e nos atualizamos de conhecimentos para a ampla utilização das ferramentas tecnológicas disponíveis nos dias atuais, criando formas de uso dessas tecnologias que aguce no educando o interesse pela pesquisa dentro e fora da escola, desenvolvendo no educando, as capacidades de interpretação, síntese e criticidade, uma vez que, a escola é o espaço adequado para ensinar como utilizar as tecnologias para a construção do conhecimento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BAIOCCHI, Dileuza Niebielski. A integração das tics na formação docente. 2009. Disponível em: <<http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=1140>>. Acesso em: 03/12/2012.

BRASIL. Decreto n°6.666, de 27 de Novembro de 2008. Institui, no âmbito do Poder Executivo federal, a Infra-Estrutura Nacional de Dados Espaciais - INDE, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 27 de Novembro de 2008. Disponível em: <<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20072010/2008/Decreto/D6666.htm>>. Acesso em: 01 jun.2013.

BITTENCOURT, Jane. Informática na educação? Algumas Considerações a Partir de um Exemplo. São Paulo. 1998. Disponível em:<<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010225551998000100003&script=sci_arttext&tlng=es>>. Acessado em: 12/dez./2012

PANSERI, Arminda Amarante Cruz. Uso da Tic na Educação. Disponível em: <<http://www.webartigos.com/artigos/uso-da-tic-na-educacao>>. Acesso em 18 mai. 2013.

PAULI, Willian Marques. O ensino de geografia e as novas possibilidades Pedagógicas construídas a partir da utilização de Ambientes virtuais de aprendizagem. Florianópolis. 2012. Disponível em: <<http://www.pmf.sc.gov.br/arquivos/arquivos/pdf/13_02_2012_11.02.30.d9396cc881a48692a75e2432f821a959.pdf>>. Acesso em: 02/ dez./2012.

ARTIGO: UTILIZAÇÃO DA MAQUETE PARA A COMPREENSÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO DA COHAB FERNANDO FERRARI - SANTA MARIA/RS

Júlio César Lang¹, Gilda Maria Cabral Benaduce², Lurdes Maria Moro Zanon ³, Talitha Tomazetti Ribeiro de Oliveira³.
¹Autora; ² Orientadora; ³Co-autores.
Área do Subprojeto: Subprojeto Geografia PIBID - Geografia.

 1 INTRODUÇÃO       

O ensino de geografia é extremamente importante para que as novas gerações possam acompanhar e compreender as transformações do mundo. Há um renovado interesse na atualidade pela ciência geográfica por causa do processo de aceleração causado pela globalização no planeta.
Segundo Straforini (2004) o professor, neste contexto de transformação, deve proporcionar a construção de conceitos que possibilitem ao educando entender o seu presente e preocupar-se com o futuro. Todavia, o presente não pode ser entendido como estático e o indivíduo como um sujeito da história incapaz de transformá-la. O processo de ensino deve estar baseado na compreensão de que temos de pensar criticamente a realidade.
            A geografia, por sua vez, tem de munir os alunos de conhecimentos que lhes permitam fazer uma “correta” leitura do mundo, agir sobre a realidade e pensar a respeito do destino humano, contribuindo significativamente para a construção da cidadania. O estudo do espaço no qual estamos inseridos deve ser um dos primeiros passos no estudo da ciência geográfica. Todavia, o seu ensino também é um grande desafio para os educadores desta área, pois o período atual exige novas formas de trabalhar esta disciplina em sala de aula e às vezes é difícil motivar para o estudo uma geração de jovens e crianças “bombardeadas” quotidianamente por um grande número de informações.
O presente trabalho objetiva demonstrar a importância e a utilização da maquete para a compreensão do espaço geográfico da Cohab Fernando Ferrari, em Santa Maria/RS.
Justifica-se pela tentativa de se livrar dos parâmetros propostos pela Geografia Tradicional, almejando vencer o espírito descritivo, a mera transmissão de conhecimentos e a separação entre os conteúdos geográficos (divididos em humanos e físicos).
Ele se baseia nas experiências adquiridas pelo grupo de bolsistas do curso de Geografia Licenciatura Plena do Programa Institucional de Bolsa a Iniciação à Docência (PIBID), do ano de 2011, na Escola Estadual de Ensino Fundamental Professora Édna May Cardoso (localizada no Bairro Camobi, em Santa Maria/RS).

2 REFERENCIAL TEÓRICO
             A disciplina de geografia exige uma nova abordagem na sala de aula, voltada para um mundo em constante transformação. Desta forma
O ensino de Geografia, assim, não se deve pautar pela descrição e enumeração de dados, priorizando apenas aqueles visíveis e observáveis na sua aparência (na maioria das vezes impostos à “memória” dos alunos sem real interesse por parte deles). Ao contrário, o ensino deve propiciar ao aluno a compreensão do espaço geográfico na sua concretude, nas suas contradições (CAVALCANTE, 1998, p.20).

O ensino de geografia nas escolas deve primeiramente estar voltado para o conhecimento do espaço vivido pelos alunos, analisando suas transformações e compreendendo que estas são causadas pelos agentes sociais. Assim sendo
Entre o homem e o lugar existe uma dialética, um constante movimento: se o espaço contribui para a formação do ser humano, este, por sua vez, com sua intervenção, com seus gestos, com seu trabalho, com suas atividades, transforma constantemente o espaço. (CAVALCANTE, 1998, p.24).

Então podemos compreender que é necessário que os alunos conheçam o espaço onde estão inseridos, entendam que as diversas transformações que ocorreram e acontecem são ações de produção social. Sendo essenciais estas obras para a sobrevivência, pois todas as produções correspondem a uma procura de maior estabilidade social, melhor qualidade de vida e maior comodidade.
O ser humano transforma o espaço que vive e ao mesmo tempo este contribui para suas práticas sociais. Desta maneira tomamos como referência a Cohab Fernando Ferrari para as explicações do espaço geográfico em constante transformação, representando-o em uma maquete, pelo fato de ser um recurso que proporciona ampla compreensão do espaço geográfico.
O uso de maquetes como recurso didático é uma alternativa que veio para auxiliar os educandos na construção de conhecimento, justamente pelo fato de que facilita a compreensão dos conteúdos de forma motivadora e prática. Sendo assim, a finalidade da construção da maquete com referência a Cohab Fernando Ferrari é despertar o interesse dos alunos, além de ajudar na compreensão do conteúdo.
Simielli (1991) considera a maquete como um mapa em miniatura, onde é representada tridimensionalmente a superfície terrestre. Afirma que o seu uso permite trabalhar a Geografia de forma inovadora, visto que ela possibilita a visualização das formas e as interações que ocorrem no meio, facilitando a aprendizagem, fazendo com que o aluno trabalhe com algo concreto e palpável.
A proposta da construção da maquete da Cohab Fernando Ferrari é que ela deve ser utilizada como recurso didático, para reforçar o aprendizado dos alunos das séries do Ensino Fundamental, justamente pelo fato de que é nestas turmas que são trabalhados os temas como o clima, a hidrografia, a ocupação geográfica, o relevo, a urbanização, entre outros, como previsto pelo currículo escolar. Abarca o fato de que o ensino da geografia exige uma maior discussão das mudanças ocorridas no espaço e nas relações homem/meio, que com utilização das maquetes torna muito mais fácil a percepção de uma criança em relação à transformação ocorrida no espaço geográfico.

3 METODOLOGIA
       A elaboração da maquete foi realizada através de uma revisão bibliográfica envolvendo assuntos referentes à construção de maquetes, aos modos como aplicá-la em sala de aula e aos aspectos físicos e humanos da Cohab em estudo. Sendo dividida sua elaboração em várias etapas.
Primeiramente foi feita a configuração e impressão de uma imagem de satélite da Cohab Fernando Ferrari (com boa resolução), no Bairro Camobi – Santa Maria/RS, e também uma da carta da mesma área, sendo as duas com sobreposição das curvas de nível com equidistância de 02 metros, estando as duas em A1. Após juntamos o material necessário para a confecção da maquete (12 folhas de isopor tamanho A1 com espessura de 5 milímetros, 1 folha de isopor tamanho A1 com espessura de 5 centímetros, 5 colas de isopor, 1  tesoura). Depois havendo a transferência das curvas de nível e dos limites da área estudada (representada na carta) para o papel transparente, cada intervalo altimétrico para uma folha diferente (iniciando o processo a partir da curva mais baixa, para assim facilitar o processo de colagem dos níveis). Após esta etapa, ocorreu o corte de cada uma das folhas de isopor de acordo com a curva de nível que ela representa. Posteriormente foi colada cada uma das folhas recortadas sobre os isopores, sendo a primeira colada no isopor de espessura 5 centímetros, e assim seguindo da menor curva de nível até a maior, moldando a altimetria do terreno. Por final foram recortadas cada curva de nível da impressão da imagem de satélite (colorida) da Cohab Fernando Ferrari e colado cada um dos recortes sobre o respectivo valor de curva de nível representada na maquete.
Ela proporciona diversas vantagens como: fazer com que o aluno enxergue o relevo da área em estudo; promover um processo de ensino-aprendizagem que não fica apenas na abstração; incentivar o exercício da orientação e compreensão geográfica; colaborar para o processo de desenvolvimento cognitivo da criança e do adolescente; servir de auxílio para reforçar o conteúdo que está sendo estudado; entre outros.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
         A maquete foi escolhida pelos integrantes do Programa Institucional de Iniciação a Docência (PIBID) do curso de Geografia Licenciatura Plena como recurso de auxílio didático, pelo fato de oferecer aos educandos a visualização da área que está sendo trabalhada no ambiente escolar.
A aplicação da maquete na Escola Estadual de Ensino Fundamental Édna May Cardoso obteve bons resultados até o presente momento. Nota-se que muitos alunos pela primeira vez na sua vida puderam enxergar um dos seus espaços de vivência, a Cohab Fernando Ferrari, em três dimensões.
Observa-se, através das opiniões manifestadas nas oficinas de geografia, que é muito mais fácil entender o arranjo espacial com o auxílio da maquete do que em relação ao mapa bidimensional.                        

5 CONCLUSÕES
          Infelizmente, o número reduzido de aulas destinado à Geografia e o uso quase exclusivo, pelo professor, do livro didático como único material de aula, prejudicam a assimilação de conceitos geográficos fundamentais por parte dos alunos, o que desestimula o aprendizado. Por isto, é necessário que o professor compreenda que possui um papel fundamental no processo de aprendizagem e que novos recursos de auxílio didático sejam buscados com o intuito de dinamizar as aulas.
A presente pesquisa concluiu que a utilização da maquete da Cohab Fernando Ferrari, construída com o propósito descrito anteriormente, revelou-se extremamente  interessante pois pode ser confeccionada com materiais simples, por um custo baixo e proporciona situações de observação, interação e comparação, e levantamento de questões sobre o espaço representado na maquete e as questões interligadas a ele.
A aplicação deste recurso didático até o presente momento na Escola Estadual de Ensino Fundamental Édna May Cardoso foi uma experiência nova e positiva para os alunos bolsistas do Programa Institucional de Bolsa à Iniciação a Docência, porque é interessante desenvolver materiais que complementem as aulas de geografia, dinamizem a disciplina e auxiliem na construção do pensamento dos alunos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAVALCANTI, L. S. GEOGRAFIA, ESCOLA E CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTOS. Campinas, SP: Papirus, 1998.

STRAFORINI, R. ENSINAR GEOGRAFIA: o desafio da totalidade-mundo nas séries iniciais. São Paulo: Annablume, 2004.


SIMIELI, H. M. Et al. DO PLANO TRIDIMENSIONAL: A maquete como Recurso Didático. In Boletim Paulista de Geografia, São Paulo: AGB/São Paulo, 1991.

ARTIGO: A GEOGRAFIA – ISSO SERVE, ANTES DE MAIS NADA, PARA A COMPREENSÃO DO MUNDO

SUBPROJETO GEOGRAFIA PIBID - 2011

Júlio César Lang¹, Gilda Maria Cabral Benaduce², Reginaldo Pires Soares³

                                                                                                                   
1 INTRODUÇÃO
  
Embora estejamos no século XXI, infelizmente, ainda há na sociedade brasileira grande número de analfabetos. Os indivíduos nesta situação necessitam do auxílio de um alfabetizado para dizer-lhes qual ônibus tomar, a fila para acessar o caixa do banco, as possíveis opções do cardápio do restaurante, o local de pagamento de determinada conta, o significado do manual do eletrodoméstico, entre outros. A alfabetização proporciona a saída da posição de “refém das letras”.
Do mesmo modo, a alfabetização cartográfica se contorna de importância ao possibilitar melhor compreensão do mundo ao educando por meio da utilização de cartas, mapas, planos e demais recursos cartográficos, auxiliando na conquista de autonomia no sentido do entendimento dos utensílios da cartografia, no desenvolvimento da consciência crítica e até mesmo nas escolhas quotidianas.
Com a ampliação do acesso ao conhecimento por meio dos recursos tecnológicos e a Internet como valioso instrumento para a propagação de informações, grandes grupos econômicos – pertencentes a poderosos capitalistas internacionais – encontraram uma força antagônica contra o estabelecimento da hegemonia a qual tentam impor. No entanto, é necessário saber utilizar a ampla gama de ferramentas existentes (globos, mapas, planisférios, projeções em 3D, etc.). Eis aí, uma significativa contribuição do professor de geografia – por intermédio da alfabetização cartográfica – para a educação.
PASSINI (2012, p.210) aborda: “Podemos considerar a Alfabetização Cartográfica um processo de aquisição de habilidades para ler o espaço, suas relações espaciais e ver ‘o que o mapa revela’”.
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Autor e apresentador¹, orientadora², coautor³
O presente trabalho justifica-se pela parceria do subprojeto PIBID/Geografia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) com o Instituto Estadual Luiz Guilherme do Prado Veppo (Bairro Tomazetti), em Santa Maria/RS, com a razão de contribuir à formação de professores, o melhor entendimento da ciência geográfica e o alavancamento dos índices de educação nesta instituição de ensino público estadual santa-mariense.
O referido trabalho tem como objetivo geral relatar atividade de alfabetização cartográfica desenvolvida no oitavo ano do ensino fundamental, e como objetivos específicos: a) Abordar a alfabetização cartográfica, a qual, inexplicavelmente, muitas vezes, recebe pouca ênfase nas aulas de geografia das escolas; b) Destacar o desenvolvimento de noções de lateralidade, rosa dos ventos, movimento aparente do sol e curiosidades e características de lugares do globo terrestre aos educandos, através de uma atividade relativamente simples e de baixo custo; c) Enfatizar o importante papel da ciência geográfica para a compreensão do mundo.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
  
LACOSTE (2009, p.254) coloca “o mundo é ininteligível para quem não tem um mínimo de conhecimento geográfico”.
O processo alfabetizador, neste contexto, é extremamente importante para o crescimento pessoal do educando. Especialmente a alfabetização cartográfica. Ninguém nasce habilitado a “ler” um mapa e a compreender a legenda. É tarefa do educador esclarecer as dúvidas do aluno e ensiná-lo a utilizar os diversos tipos de recursos cartográficos.
LACOSTE (2009, p.38) ressalta: “cartas, para quem não aprendeu a lê-las e utilizá-las, sem dúvida, não têm qualquer sentido, como não teria uma página escrita para quem não aprendeu a ler”.
O mapa não consiste em mera figura ilustrativa. É um meio pelo qual se expressam ideias. Deve ser elaborado para comunicar. A alfabetização cartográfica se faz necessária, neste contexto, à interpretação das informações contidas no produto cartográfico.
Ensinar Geografia não é meramente simplificar espaços, “fechando” mapas, como se tudo fosse simplista. É mais do que isto, é ensinar os pormenores ocultos por detrás do espaço geográfico, as transformações da sociedade, as nuances existentes na relação homem versus natureza, a compreensão das relações espaciais, a distribuição dos fenômenos geográficos, entre outros.
A disciplina de geografia exige nova abordagem na sala de aula, voltada para o mundo em constante transformação. Desta forma

O ensino de Geografia, assim, não se deve pautar pela descrição e enumeração de dados, priorizando apenas aqueles visíveis e observáveis na sua aparência (na maioria das vezes impostos à “memória” dos alunos sem real interesse por parte deles). Ao contrário, o ensino deve propiciar ao aluno a compreensão do espaço geográfico na sua concretude, nas suas contradições (CAVALCANTE, 1998, p.20).

A alfabetização cartográfica pode ser um dos fios condutores para nova sociedade, em que o pensamento cartesiano e positivista é superado, e o coletivo sobrepõe o individual.

3 METODOLOGIA
  
Consistiu em espaço de reflexão e diálogo entre educador e educando, desafiando o discente a localizar determinados países dentro do mapa-múndi, para a partir daí indagá-lo sobre qual posição (esquerda, direita, norte, sul, leste, oeste, hemisfério, latitude, longitude, entre outros.) este ocupa diante de outros países. Em seguida, realizando conexões entre as informações conhecidas pela turma e, por fim, buscando descobrir o que o educando sabia a respeito do país a qual teve de indicar a localização.
Por meio da atividade realizada, se tornou possível trabalhar com noções de lateralidade, rosa dos ventos, movimento aparente do sol, bem como, curiosidades e características de lugares da Terra (além de possibilitar o manuseio de mapas o qual inúmeras vezes permanece ausente das aulas de Geografia).

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
  
A turma, de modo geral, gostou bastante da atividade levada a cabo pelos bolsistas do subprojeto PIBID/Geografia. A maioria dos educandos surpreendeu-se com a importância da ciência geográfica para a compreensão do mundo. A Geografia não é apenas saber nomes de capitais e países, mas sim, entender as relações estabelecidas entre a sociedade e a natureza sobre o espaço geográfico.
Com uma maior abordagem da alfabetização cartográfica na sala de aula, certamente diversas dúvidas e inquietações do alunado podem ser superadas, através de um processo de ensino – aprendizagem que não enfatize a decoreba, mas sim, a construção do pensamento crítico e a assimilação dos saberes de modo que não sejam tão facilmente esquecidos como o conteúdo gravado pela primeira (decoreba).
É preciso trabalhar de forma prática a alfabetização cartográfica considerando o indivíduo como ser de vontade e não como mero “telespectador” dos fatos. A transformação social do país, com bom indicadores de qualidade de vida, não ocorre somente na escola, mas impreterivelmente passa por ela.
  
5 CONCLUSÕES
  
A atividade realizada no Instituto Estadual Luiz Guilherme Prado Veppo demonstrou grandes dificuldades quanto à identificação cartográfica de países e continentes por parte de inúmeros educandos. Muitos, infelizmente, não sabiam encontrar o Brasil em meio ao panorama de países existente no mapa múndi.
Quanto à lateralidade, rosa dos ventos e movimento aparente do Sol as dificuldades eram ainda maiores. É necessário, neste contexto, que o professor utilize algumas aulas com o objetivo de reforçar estas noções importantes para o entendimento do espaço.
O educador, neste contexto, precisa enxergar as disparidades quanto ao entendimento geográfico, com a finalidade de poder auxiliar na superação destes déficits educacionais e permitir uma melhor aprendizagem dos mesmos.
  
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAVALCANTI, L. S. GEOGRAFIA, ESCOLA E CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTOS. Campinas, SP: Papirus, 1998.

LACOSTE, Y. A GEOGRAFIA: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Tradução de Maria Cecília França. 15. ed. Campinas: Papirus, 2009.



PASSINI, E. Y. ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA E A APRENDIZAGEM DE GEOGRAFIA. 1. ed. São Paulo: Cortez, 2012.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

ATIVIDADE NA ESCOLA PRADO VEPPO


Continente asiático no século XXI: economia, população, território  e sua participação na distribuição da riqueza mundial



ESCOLA: Instituto Estadual Luiz Guilherme Prado Veppo
EDUCADORES: Júlio César Lang, Leonardo Pinto dos Santos  e Reginaldo Pires Soares.

PROPOSTA

Buscar-se trabalhar com dados e informações recentes a respeito da economia, da população, do território e da participação política da Ásia no mundo (utilizando notícias recentes divulgadas em mídias informacionais e as estatísticas disponibilizadas pelo Population Reference Bureau - World Data Finder e o Fundo Monetário Internacional) buscando associar a temática com a realidade do aluno, mostrando-o como os fatos na contemporaneidade estão intimamente relacionados uns aos outros e que um acontecimento ocorrido no outro “canto” do mundo poderá afetá-lo de diferentes maneiras. É importante destacar, através da atividade que será realizada com a turma, algumas assimetrias existentes no globo quanto distribuição da riqueza mundial entre os continentes. 
Fotos da atividade: JOGO DAS CADEIRAS





terça-feira, 11 de setembro de 2012


Assembleia na carpintaria
 
           Contam que na carpintaria houve uma vez uma estranha assembleia. Foi uma reunião das ferramentas para acertar suas diferenças. O martelo exerceu a presidência, mas os participantes notificaram-lhe que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava o tempo todo golpeando. O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque o parafuso concordou, mas por sua vez pediu a expulsão da lixa. A lixa acatou, com a condição de que expulsasse o metro, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora o único perfeito.
            Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou o seu trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, o metro e o parafuso. Finalmente, a rústica madeira se converteu num fino móvel. Quando a carpintaria ficou novamente só na assembleia a discussão foi reativada. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse: “-Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha com nossas qualidades, com nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos, e concentremo-nos em nossos pontos fortes”.
          A assembleia entendeu que o martelo era forte, e o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar asperezas, e o metro era preciso e exato.
         Sentiram-se então como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade. Sentiram alegria ao terem a oportunidade de poderem trabalhar juntos.
            Ocorre o mesmo com os seres humanos. Basta observar e comprovar. Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas. É fácil encontrar defeitos. Qualquer um pode fazê-lo. Mas encontrar qualidade, isto é para os sábios.
 
Autor Desconhecido